quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O jornalismo "delicado" da Revista Época (II), o caso do bebê Arthur e o Dr. Joaquim Ribeiro Filho

Sobre o título do post acima, ver: O Jornalismo "delicado" da Revista Época (I)

Vejam esta matéria em que os repórteres Isabel Clemente com Marcela Buscato, Ana Aranha, Flavio Machado e Marcelo Zorzanelli falaram em "esquema de venda de fígados" e "vendedores de facilidades".
O Drama do transplante de órgão
A prisão do médico Joaquim Ribeiro Filho e o indiciamento de outros cirurgiões, suspeitos de atuar num esquema de venda de fígados que deveriam ser oferecidos de graça a quem se encontrava no lugar certo da fila, no Rio de Janeiro (leia a reportagem), ajudam a entender o drama dos transplantes no Brasil. É um universo formado por momentos de sacrifício e generosidade, determinação e vontade de viver, mas também incompetência, grotescas falhas de gestão e desperdício. Numa situação assim, a existência de dificuldades abre espaço para os vendedores de facilidades.

Gravem muito bem o que eles escreveram!
O universo dos transplantes é também o universo da informação e do jornalismo que exige trabalho e dedicação com a apuração. E é justamente neste espaço que estamos encontrando verdadeiros "fura-filas".

Um suposto esquema de "vendedores" de notícias mal-apuradas, que se aproveitam da generosidade e da confiança dos leitores?

Chamamos atenção para mais uma coisa. Vejam, abaixo:

Os pais do bebê Arthur (matéria da Revista Época) tiveram de enfrentar uma série de "inexplicáveis barreiras burocráticas", "ausência de estrutura e agilidade no sistema de saúde" que levaram à morte do seu filho? Que médico esteve ao lado deles o tempo todo?

A Revista Época concorda, então, que os pais de Arthur foram vítimas de tudo isso e que deve-se agilizar o sistema, investir-se em estrutura e valer-se do bom-senso na parte burocrática?

Acreditamos que a Língua Portuguesa seja a mesma para nós e para os jornalistas da revista Época e que não será necessária nenhuma portaria do Ministério da Educação sobre o nosso texto.

Tudo de acordo?

Agora, leiam o post abaixo da própria ONG DOEAÇÃO criada pelos pais de Arthur e vejam qual é o nome do médico citado na matéria do Fantástico em 11/12/2005 e qual foi a sua ação no caso.
Será que disseram aos pais de Arthur qual era o nome do médico agredido pela Revista Época?


Três realidades dos transplantes no Brasil
"Meu filho morreu na fila"
Rafael Paim, 32 anos, professor de engenharia de produção no Rio de Janeiro e criador da associação DoeAção, faz campanha pela doação de órgãos a bebês e crianças em todo o país. Seu filho, Arthur, nasceu em 14 de novembro de 2005 e morreu em 4 de abril de 2006

André Valentim
MORTE NA FILA DO CORAÇÃO

Um exame de ultra-sonografia revelou a Rafael Paim e Beatriz Blauth Santos que seu primeiro filho, ainda na barriga da mãe, só tinha metade do coração saudável. De acordo com o diagnóstico (hipoplasia das cavidades esquerdas), metade de seu coração não funcionaria depois do parto. Com sete dias de vida, já havia passado por duas cirurgias cardíacas e o problema não fora resolvido. Como seu caso era grave, entrou em primeiro lugar na lista de espera para transplante de coração em São Paulo. Assustados com a ausência de doadores, Rafael e Beatriz procuraram a imprensa e criaram a ONG DoeAção. Em poucos dias, a saga de Arthur virou campanha nacional. “A cada matéria, eram mais dois doadores que apareciam”, diz Rafael. Mas, além dos problemas de incompatibilidade que há em qualquer transplante, o casal teve de enfrentar inexplicáveis barreiras burocráticas. “Nosso filho poderia ter sido salvo em pelo menos dois casos. Em ambos havia compatibilidade e disposição da família doadora”, diz Rafael. Em uma dessas vezes, o transplante foi descartado pelo médico da criança doadora que, sem justificativa formal, simplesmente rejeitou o procedimento solicitado pela família. Em outra situação, por um erro de encaminhamento, a família doadora foi orientada a procurar uma delegacia e o prazo para o transplante expirou. Uma semana depois, o coração de Arthur parou de funcionar. Ele morreu com menos de cinco meses.

Mais do que a falta de doadores, para Rafael, o maior problema do transplante no Brasil é a ausência de estrutura e a agilidade no sistema de saúde para a notificação de que há um órgão disponível. “Os hospitais não têm estrutura e os médicos acabam gastando muito tempo para checar todos os exames necessários. Eles acabam indo embora e a doação se perde”, diz. “O maior problema desse país é a falta de ação”. Rafael teme que operação da Polícia Federal prejudique ainda mais esse cenário ao deixar os doadores e os médicos receosos com o processo de transplante. “Esses casos são pontuais, há muita gente na lista esperando pelo transplante. Se isso acontecer, serão mais vidas perdidas”.

Enquanto lutava pela vida do filho, Rafael lembra de uma manhã em que acordou chorando, sufocado pela falta de possibilidades no sistema de saúde brasileiro. “Fiz pesquisas para internar o Arthur nos Estados Unidos, mas descobri que só para entrar na fila e no hospital americano eu precisaria desembolsar um milhão de dólares”. Ele jura que nunca cogitou a hipótese de entrar em um esquema de compra de órgãos. “A coisa mais repugnante que já ouvi foi uma sugestão de comprar um coração em uma clínica de aborto. Eu jamais faria algo assim, fora da lei, isso sempre esteve totalmente fora de questão”, afirma. Ainda assim, até hoje Rafael recebe e-mails de pais desesperados por encontrar um órgão compatível com o seu filho, mesmo que por meio do tráfico de órgãos.

Depois que Arthur morreu, Rafael foi para os Estados Unidos terminar seu doutorado em engenharia de produção na Carnegie Mellon University, no estado da Pensilvânia. De volta ao Brasil, ele e a mulher decidiram ter o segundo filho. Vitor tem 4 meses.

Veja mais sobre a ação do Dr. Joaquim Ribeiro Filho no caso neste link

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